A presença de pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) no ensino superior brasileiro não constitui fenômeno marginal nem episódico, mas expressão concreta de transformações sociais, políticas e jurídicas decorrentes da ampliação do acesso à educação e do fortalecimento do paradigma dos direitos humanos. A universidade contemporânea, especialmente a universidade pública, encontra-se desafiada a revisar práticas historicamente naturalizadas, concebidas para um perfil homogêneo de estudante, que já não corresponde à realidade plural que hoje ocupa seus espaços acadêmicos.
Esse cenário revela uma tensão estrutural entre, de um lado, modelos universitários fundados na seletividade, na padronização e na meritocracia abstrata e, de outro, o imperativo constitucional de igualdade material, dignidade da pessoa humana e não discriminação. No caso das pessoas com TEA, essa tensão assume contornos ainda mais sensíveis, pois envolve não apenas questões de acesso formal, mas, sobretudo, as condições concretas de permanência, aprendizagem, convivência universitária e participação democrática.
DOI: 10.63330/livroautoral292026-
ISBN: 978-65-83849-53-3
Ano de publicação: 2026
Numero de páginas: 1-124