Há algo de profundamente enganoso na ideia de que a História ficou para trás. Como se fosse possível deixá-la repousando em algum século distante, encerrada em arquivos, datas e monumentos. Como se o passado fosse apenas um lugar de onde viemos, e não um lugar que continua, insistente, vivendo em nós.
No Brasil, talvez saibamos disso melhor do que gostaríamos. Aqui, as heranças não passam com facilidade. Elas se reinventam. Mudam de nome, trocam de roupa, ganham novos discursos, mas permanecem. A escravidão, o patriarcado, as violências coloniais, os apagamentos sistemáticos: tudo aquilo que parecia “superado” retorna como estrutura, como ausência, como desigualdade que se repete. O passado, afinal, não é um capítulo encerrado. Ele é uma presença incômoda.
É nesse terreno instável, disputado, atravessado por permanências e rupturas que se inscreve História em Movimento: Gênero, Identidade, Memória e Transformações Históricas. Esta coletânea parte de uma recusa fundamental: a recusa de pensar a História como narrativa única, neutra ou definitiva. Porque não há neutralidade quando se trata de lembrar. Não há inocência quando se trata de narrar.
Organizadores: Lucas Matheus Araújo Bicalho; Stefany Reis Marquioli; Luis Fernando de Souza Alves; Guilherme Carvalho Vieira; Ioli Ferreira Santiago.
DOI: 10.63330/livroautoral382026-
ISBN: 978-65-83849-69-4
Publicação: 24/02/2026
Numero de páginas: 1-229
Licença: Creative Commons (CC-BY 4.0)