Este livro propõe uma reflexão historiográfica sobre a Guerra do Paraguai (1864–1870), tomando o conflito não apenas como acontecimento histórico, mas como objeto de disputas interpretativas ao longo do tempo. A obra parte da distinção entre história e historiografia para examinar como o passado é construído por meio de escolhas metodológicas, contextos intelectuais e compromissos políticos.
O foco não está na reconstituição cronológica da guerra, mas na análise crítica de três tradições historiográficas fundamentais: a narrativa oitocentista, representada pelo Visconde de Taunay; o revisionismo latino-americano dos anos 1970, associado a Júlio José Chiavenato; e a historiografia acadêmica contemporânea, exemplificada pela obra de Francisco Doratioto. A comparação entre essas leituras evidencia que a Guerra do Paraguai se consolidou como um campo privilegiado de disputas historiográficas, no qual se confrontam diferentes regimes de verdade, concepções de prova, estilos narrativos e projetos intelectuais.
O livro analisa ainda o papel do conflito na construção das memórias nacionais do Brasil, do Paraguai e da Argentina, destacando sua centralidade como evento fundador, trauma coletivo e instrumento de legitimação política. Inserida no campo da divulgação científica, a obra busca ampliar o diálogo entre a produção acadêmica e o público mais amplo interessado em História. Sem abdicar do rigor analítico, adota uma escrita clara e acessível, defendendo a ampliação da circulação do conhecimento histórico como necessidade contemporânea e reafirmando a História como prática intelectual plural, crítica e permanentemente aberta à revisão.
Autor: Leonildo José Figueira.
DOI: 10.63330/livroautoral352026-
ISBN: 978-65-83849-60-1
Publicação: 09/02/2026
Numero de páginas: 1-116
Licença: Creative Commons (CC-BY 4.0)